quarta-feira, 27 de julho de 2016

Parto Humanizado em Teresina: CPN



"Um universo paralelo na Maternidade Dona Evangelina Rosa" é como algumas pacientes se referem ao CPN. Mas afinal, o que é CPN? Como funciona? No post de hoje vamos mergulhar nesse "universo paralelo" e descobrir como funciona esse espaço de parto normal humanizado em nossa cidade.



O que é CPN?



A sigla significa Centro de Parto Normal e, no nosso caso, estamos nos referindo ao Centro de Parto Normal da Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER). É comandado por Enfermeiras Obstetras (EOs), onde são admitidas gestantes de baixo risco, que receberão assistência para um parto normal humanizado, com todo respeito que as gestantes tem direito. O CPN foi reinaugurado no dia 18 de dezembro de 2014 com 05 quartos PPP (apartamentos individualizados com banheiro em anexo).

Quais os critérios de admissão do CPN?

- Gestante com risco habitual, na FASE ATIVA do TRABALHO DE PARTO (pelo menos 4cm de dilatação)
- Idade gestacional de 37 a 41 semanas
- Gestação única (não pode ser gêmeos)
- BCF dentro da normalidade (entre 120 bpm e 160 bpm, sem desacelarações após a contração)
- Rotura de membrana ("bolsa estourou") até 10 horas no momento da admissão



- Apresentação cefálica fletida:

- Gestante com pré-natal e os exames de rotina dentro da normalidade (levar o cartão de gestante e todos os exames, principalmente a primeira Ultrassom)



OBS1: É importante você pedir para ir ao CPN, pois pode acontecer de você ser encaminhada a outros setores mesmo estando apta a ir ao CPN.



OBS2: Para ir ao CPN você entra pela entrada normal da maternidade (aquela de emergencia) e se apresenta na recepção para ser encaminhada à avaliação. O CPN não é um anexo da maternidade, ele é uma ala dentro da própria MDER.



Como saber a hora certa de ir para a maternidade?
  • Contrações ritmadas e frequentes: 3 contrações dentro de 10 minutos, com aproximadamente 40 segundos cada contração
  • Bolsa estourou: verifique a cor do liquido. Se for claro, transparente ou rosado, mantenha a calma, converse com o medico/enfermeira/equipe e se organize para ir a maternidade. Se o liquido possuir tonalidade verde, vá para a maternidade com mais urgência, para avaliar o bebê.
  • Se tiver sangramento em grande quantidade (tipo menstruação), é necessário ir com urgência para a maternidade.
  • Se o bebê não mexer, também é necessário ir logo a maternidade (nas ultimas semanas o bebê diminui os movimentos, mas não para totalmente).
Lembrando que se você chegar a maternidade sem estar com alguns desses sintomas, ou sem apresentar dilatação de pelo menos 4cm, provavelmente a viagem será perdida e irão lhe orientar a voltar para casa. Então, por mais difícil que seja, mantenha a calma, preste atenção nos sinais, para sair de casa apenas quando realmente for necessário e evitar stress desnecessário. Sentir contrações doloridas não significa que esta na hora. Quando começarem as contrações, tente relaxar, tomar um banho de água morna, caminhar, e apenas quando estiver com 3 contrações em 10 minutos, se dirija a maternidade. Participar de grupos de apoio ao parto normal ou ter uma doula/enfermeira obstetra para lhe orientar, diminui bastante as chances de você chegar na maternidade antes da hora.

Quais os benefícios e os diferenciais do CPN?

Humanização: No CPN você conta com uma equipe humanizada formada por Enfermeiras Obstetras e Tecnicas de Enfermagem, que possuem total competência para assistir ao parto normal, respeitando a gestante e o parto como um todo.

Enfermeira Obstetra Erika Soares


Privacidade: Possui 5 PPP (apartamentos individualizados com banheiro em anexo). 

Quarto decorado

Chuveiro com água morna, que ajuda no alívio das dores.


Equipamentos: A gestante dispõe de equipamentos que auxiliam no trabalho de parto e tem total liberdade para escolher a posição que deseja ficar e os exercícios que se sente confortável para fazer, sempre com uma profissional lhe auxiliando. Cavalinho, Bola Suíça, Barras de apoio, além de uma cama totalmente articulada.

Sentada no banquinho a mulher fica numa posição bem próxima à de cócoras e na vertical, o que promove melhor aporte de oxigênio para o bebê, aumenta a prensa abdominal, favorece a descida do bebê. Pode ser associada a exercícios respiratórios e massagens, o que contribui para a diminuição da dor.

(desculpa pela foto, gente! foi a unica que salvou hehe) O uso da bola suíça na assistência à mulher durante o trabalho de parto diminui a sensação dolorosa, aumenta as contrações em razão da posição verticalizada, auxilia na descida do bebê, aumenta o aporte de oxigênio para o bebê, proporciona o relaxamento da musculatura lombar e perineal, além de movimentar as articulações do quadril e região lombar.


Segurança: O bebê não sai de perto da mãe. Acredito que seja unanimidade entre as gestantes: todas nós temos pavor de nos separar de nossos filhos logo após o parto. Porém, não é o caso do CPN. Após o parto, o bebê vai diretamente para o colo da mãe, espera-se o cordão parar de pulsar para corta-lo, aproveitando ao máximo os benefícios dessa conexão e do contato pele a pele da mãe com o bebê nos primeiros minutos de vida. Depois o bebê fica em um bercinho aquecido, ao lado da cama da mãe, e só sai de perto em casos realmente necessários.




E caso a gestante não possa ser admitida no CPN, o que acontece?

Se sua gravidez não for considerada de baixo risco, ou for necessária alguma intervenção, você será encaminhada para outra ala da maternidade para realizar o parto normal ou cesárea, sendo esta, apenas com uma indicação real.

(para entender a diferença entre um parto normal e um parto normal humanizado clique AQUI)

Afinal, por que o CPN é tão pouco conhecido?

Infelizmente existe muito preconceito em relação ao parto assistido por Enfermeiras Obstetras. Até mesmo entre os próprios médicos, existe essa "rivalidade". Porém, é só perguntar para qualquer mulher que tenha parido no CPN ou ler em vários relatos de parto, para comprovar que, além de totalmente seguro, o parto assistido por EOs é respeitoso, humanizado e devolve o protagonismo do parto à mulher. Isso impede muitas pessoas de divulgar o espaço, além de não chamar atenção da mídia, pois o parto humanizado ainda é um tabu em nossa cidade (e em grande parte do Brasil, com algumas exceções).
Então é basicamente por isso: pela dificuldade de divulgação, a falta de interesse da mídia e o preconceito de algumas pessoas.


Gostou de conhecer um pouco mais sobre o CPN? Você pode ir a qualquer momento na MDER e solicitar uma visita a ala, para conhecer pessoalmente o local. Aproveite para chamar o marido, a mae, a amiga, ou qualquer pessoa que ainda torce o nariz quando falamos em parto humanizado por aqui.



Gostaria de agradecer imensamente à EO Erika Soares, pela paciência e por me doar um pouquinho do seu tempo, para me mostrar e me explicar tudo sobre o CPN. E ao grupo Gestantes Poderosas, onde eu aprendo cada dia uma coisa nova.

Qualquer dúvida, crítica ou sugestões, deixe nos comentários.

Até a próxima!


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